Baú da tia Elza 1

Must read sobre Criatividade & Inovação: “Criatividade S.A.: Superando as forças invisíveis que ficam no caminho da verdadeira inspiração” – Ed Catmull – Editora Rocco. A história da Pixar – Toy Story e seu sucesso!

Criatividade & Inovação

Dona Alice e sua cachorra *

Dona Alice dizia que tinha dois metros de altura e chamava todo mundo de Umbizides.
– Bom dia, Dona Alice.
– Bom dia, Umbizides!
– Fiz aquela receita de pão que a senhora me passou, lembra?
– Receita de pão.
– Pois é… meus pães não ficaram nem parecidos com os seus.
– Você cuidou da farinha como falei?
– Cuidei, sim, mas… na verdade, não sei se entendi direito. Era para esfregar os dedos na farinha e ver se ela estava boa, era isso?
– Isso mesmo, mas tratando de ouvir o que a farinha dizia.
– Deve ter sido esse o problema. Não consegui ouvir nada!
– Com o tempo você aprende a ouvir, Umbizides.
– Dona Alice, me perdoe… Outra coisa… falaram que a senhora diz que tem dois metros de altura…
– E você acha que não tenho?
Dona Alice colocou a mão na cintura e perguntou:
– Daqui até o chão não tem um metro?
– Acho que tem.
– Então… daqui para cima deve ter outro!
E lá se foi Dona Alice, sorrindo em silêncio.
Dona Alice dizia que só conseguia pensar direito caminhando com sua cachorra.
– Boa tarde, Dona Alice.
– Boa tarde, Umbizides!
– Georgy Butka pediu que procurássemos a senhora.
– Sei, o açougueiro… você é quem chamam Anão e esse deve ser Bénya Krik.
– Isso, isso mesmo. Ele pediu que viéssemos falar com a senhora sobre os últimos acontecimentos.
– Venha, vamos todos caminhando enquanto você me conta sobre os tais acontecimentos… Mas fale como se escrevesse seu testamento: quanto menos palavras, menor o número de passos… e processos.
– Sou de Odessa, Bénya é das ruas, Butka é da vida e essencialmente somos livres. O Sr. Hatt e seus aliados representam o contrário disso tudo, ele é a guerra. O autoritário precisa de uma guerra para sobreviver.
– Entendi, Umbizides. E você sabe por que o açougueiro que é da vida pediu para vocês virem aqui?
– Já somos livres, agora teremos que ser muitos! Imagino que ele queira que a senhora e sua cachorra se juntem a nós.
– Butka não mandaria você buscar o que ele já tem.
– Ele pediu para virmos os dois.
– Ah… então é isso! – disse Dona Alice, parando de caminhar.
Satisfeita, colocou uma mão na marca de um metro e perguntou, apontando para os cães:
– Você viu como a dupla conversou?
– Não, sinceramente, não vi – respondeu o Anão.
– Eles já se entenderam! Missão cumprida! Voltem sempre que precisarem. Mas voltem, principalmente, quando acharem que não precisam – completou sorrindo.
Depois, chamando sua cachorra, Dona Alice começou seu caminho de volta:
– Venha, Prudência!

  • Capítulo de “Não me abandone” – página 53